domingo, 23 de maio de 2010

Instruções para o trabalho prático


O trabalho consiste na criação de um e-portfolio.


Temas: tópicos e autores do programa (ver lista).

Grupos com um número máximo de 3 elementos.


Para criar o e-portfolio, podem utilizar este site:
O e-portfolio permite o trabalho cooperativo em torno de um tema ou objectivo tal como acontece na Wikipedia. De certa forma, é uma Wikipedia em miniatura.

Vejam este exemplo de e-portfolio de uma turma de estudantes da Austrália:

Ver também um exemplo de um trabalho de grupo do curso de sociologia realizado no blogspot.com :



Instruções para criar o portfolio do trabalho prático

Devem ir a esta página e fazer a vossa inscrição.

Apenas um dos membros do grupo deve criar o e-portfolio wiki.

Os outros deverão aderir ao grupo.



No caso de ter alguma dúvida, contactar o docente nas aulas práticas ou excepcionalmente através do endereço (não se esqueçam da vossa identificação: nome, número, disciplina e curso):

Para verem as normas de citação e de resumo, consultar o livro de estilo da wikipedia:
"A redacção   clara, informativa eimparcial é sempre mais importante do que a apresentação e a forma. Não se requer que os autores sigam todas ou alguma destas regras: a graça da edição wiki é que não se requer perfeição. Os wikipedistas que fazem copy-edit vão se encaminhar a este manual e gradualmente serão feitas páginas que se ajustam a este guia, ou este guia será mudado para o mesmo efeito" in
"Conceber, criar e desenvolver um bom artigo são actividades que trazem uma grande satisfação, especialmente se o artigo vier a considerado um dosmelhores artigos da Wikipédia .
 Contudo, para que um artigo possa atingir um nível elevado é necessário muito trabalho.

O objectivo desta página é oferecer algumas ideias que podem ajudar a tornar mais fácil a escrita de um artigo de qualidade.

Uma entrevista interessante a Peter Kevin Spink em que se fala da escola sócio-técnica



"Leny – E a questão sociotécnica?
Peter – Quando eu cheguei aqui, eu comecei a me engajar com muitas questões de trabalho e empresas, porque foi um período de abertura, havia discussões sindicais, tinha possibilidades de mudança no ar, tinha um grau mínimo, muito pequeno, mas suficiente, de abertura para discutir questões empresariais. A saúde do trabalho foi um caminho possível e eu me engajei nesta briga porque pareceu que fazia sentido o fazer. A visão sociotécnica desenvolvida a partir dos estudos do Tavistock nas minas de carvão é o desmonte da idéia de que há uma maneira melhor de organizar o trabalho e que a organização do trabalho é determinada tecnologicamente; ou, simplificando mais ainda, é a negação da idéia de que a parte técnica do trabalho é neutra, independente e separada do social. Não, os dois andam juntos e se produzem conjuntamente. Claro que tem máquinas etc... mas essas máquinas são produzidas por pessoas e são “juntadas” por pessoas. E produtos são montados de acordo com certas lógicas que são feitas por pessoas – e isso é cheio de pressupostos sobre que tipo de posto de trabalho deve existir, sobre as competências das pessoas, sobre como elas devem ser supervisionadas ou como a autoridade deve ser exercida. Essa é um pouco a noção que está por trás do processo sociotécnico: não há uma melhor maneira para nada, simplesmente há opções e essas opções têm conseqüências; você tem que discutir e debater, pesar as opções e dar valor – quer dizer, avaliar – as conseqüências.
É importante dizer que essa visão mais crítica sobre a organização do trabalho sempre foi marginal em todo e qualquer lugar. Ela foi um pouco mais aceita em sua versão mais simplificada – em termos de grupos de trabalho, células, núcleos etc. – do que foi em sua versão mais ampla – que é muito mais a preocupação com a democracia no local de trabalho. Bem, neste período de abertura inicial, tinha pessoas como vocês na área de saúde no trabalho, tinha uma nova geração de engenheiros se formando na Poli, em torno de Afonso Fleury, também preocupada com estas questões. Mas eu sempre estava consciente de que esse tipo de convívio democrático sobre a forma através da qual se organiza o trabalho seria extremamente difícil de se construir numa situação em que nem os sindicatos foram reconhecidos como representantes legítimos dos trabalhadores e onde os trabalhadores foram marginalizados em relação à discussão sobre organização e trabalho. O trabalho sociotécnico mexe significativamente com estas questões, porque é um trabalho de análise e discussão entre todas as partes implicadas e não um exercício gerencial de construir melhores caminhos.
Leny – Essa noção de escolha organizacional...
Peter – Também mexe. Porque ela não permite que se trate o mundo como um problema técnico ou abstrato, mas que se reconheça os valores, as opções culturais, as competências e saberes. Estas idéias, hoje, são bastante esquecidas, mas não penso que isso é simplesmente um problema para a teoria sociotécnica. Tenho a impressão que muitas das teorias que estavam sendo trabalhadas na década de 50 e 60 ficaram meio jogadas para o lado por serem consideradas velhas. É interessante refletir que para a história das idéias, 40 anos é absolutamente nada. Sem dúvida, as idéias foram formuladas na linguagem de suas épocas – senão elas não seriam formuladas –, mas podem ser reformuladas na linguagem de nossa época. Há muito a ser retrabalhado... "

Peter Kevin Spink, "Entrevista: Peter Kevin Spink", in Cadernos de Psicologia Social do Trabalho. v.3-4 São Paulo Dez. 2001, pp. 77-97 [citado 20 Março 2009], Disponível na World Wide Web: <http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-37172001000100006&lng=pt&nrm=iso>.


ver aqui a entrevista completa:


Sugestões e indicação para o trabalho prático



Vejam aqui algumas sugestões:
 
 
 
 
Podem fazer acerca de autores ou conceitos (ver lista anterior)
 
Exemplo:
 
Teoria de Sainsaulieu sobre a cultura organizacional
 
A teoria do poder em Michel Crozier
 

 
Ver apenas os autores referidos nas aulas teóricas ou no programa.
 
 
Não se esqueçam de confirmar os autores ou conceitos com o docente antes de começarem o trabalho.

Exemplo de trabalho prático



Ver aqui um exemplo:


De notar que tem algumas deficiências ao nível da apresentação (página inicial). Falta igualmente uma breve biografia do autor.

Não esqueçam que podem incluiir este trabalho no vosso CV.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Aula de 20 de Maio de 2010 - Aula sobre a abordagem pluralista do poder nas organizações

Aula de 20 de Maio de 2010 -  Aula sobre a abordagem pluralista do poder nas organizações


http://neves.paginas.sapo.pt/OrgTrab08_09/aulaOrgtrab.Poder.Crozier27mar09.pdf

Textos de apoio
Para apoio, devem consultar na Copyscan o capítulo do livro de Gareth Morgan "Imagens da Organização" (capítulo sobre a organização como sistema político).

Ver também o livro de Phillipe Bernoux "Sociologia das organizações" da RES editora (capítulo sobre a análise estratégica).

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Autores e temas para o trabalho prático

Sugestões de autores e temas para o trabalho prático (devem confirmar obrigatoriamente enviando mail para o docente com o tema e composição do grupo)


Poderão também ser sugeridos outros textos disponíveis na Biblioteca




1 - A noção de sistema sócio-técnico no Instituto Tavistock: Erick L. Trist e Kenneth W. Bamforth


TristEric L. and Ken WBamforth. 1951. “Some Social and Psychological Consequences of the Longwall. Method of Coal-Getting.” Human Relations 4: 3-38


Uma versão reduzida:


http://www.moderntimesworkplace.com/archives/ericsess/sessvol2/Trist___Bamforth_1.pdf











Teoria Sócio-Técnica: resgatando o construto à luz da criticidade

SPINKPeter. A perdaredescoberta e transformação de uma tradição de trabalho: a teoria sociotécnica nos dias de hoje. Org. e Soc.-O&S, Salvador, v.10
(pedir-me por e-mail)


2 - A escola de Palo Alto e as teorias de Bateson na comunicação organizacional


Simão de Miranda, Comunicação, metacomunicação e autoestima infantil http://www.simaodemiranda.com.br/Artigo%20Comunicacao_CH259.pdf



4 - A teoria do poder de Michel Crozier


Morgan, Gareth, Imagens da Organização, São Paulo, Atlas, 1996. Ver aqui online. http://www.scribd.com/doc/21391757/Gareth-Morgan-Imagens-da-Organizacao
Ver o capítulo: a metáfora das organizações como sistemas políticos ( a visão do Poder)



EL ACTOR Y EL SISTEMA: Las restricciones de la acción colectiva
Michel Crozier y Erhard Friedberg http://www.rafaelcastellano.com.ar/Biblioteca/ARTICULOS/EL%20ACTOR%20Y%20EL%20SISTEMA.pdf


Estudos empíricos:
José Alonzo Sahui Maldonado, APLICACIÓN DEL MODELO DE ANÁLISIS ESTRATÉGICO DE MICHEL CROZIER Y ERHARD FRIEDBERG A UNA ORGANIZACIÓN DE EDUCACIÓN SUPERIOR (OES) http://www.colparmex.org/Revista/Art10/43.pdf


5 - As culturas organizacionais em Renaud Sainsaulieu


Renaud Sainsaulieu, FUN DAMEN TOS SOCIOLÓGICOS E PERSPECTIVAS PARA A GRH A
EMPRESA 
http://www.cies.iscte.pt/destaques/documents/FUNDAMENTOSSOCIOLOGICOS.pdf




Renaud Sainsaulieu, "Fondements Sociologiques et Perspectives pour la Gestion
des Ressources Humaines en Entreprise"
http://pascal.iseg.utl.pt/~socius/publicacoes/wp/wp931.pdf




L'IDENTITÉ EN ENTREPRISE, Renaud SAINSAULIEU
http://www.u-picardie.fr/labo/curapp/revues/root/33/renaud_sainsaulieu.pdf_4a07eb7dd0b70/renaud_sainsaulieu.pdf


Morgan, Gareth, Imagens da Organização, São Paulo, Atlas, 1996. Ver aqui online. http://www.scribd.com/doc/21391757/Gareth-Morgan-Imagens-da-Organizacao
Ver o capítulo: metáfora das organizações como cultura



Aviso final

No trabalho prático tenham o cuidado de seguir 
 rigorosamente as normas APA de citação e de bibliografia.


Prazos do teste e T.P.

Teste - 17 de Junho de 2010

Entrega de trabalho prático - 24 de Junho de 2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Lemos muito, mas aprendemos pouco

Lemos muito, mas aprendemos pouco


"Para que possamos entender melhor a questão do excesso de informação vamos verificar um exemplo prático e real. Se um estudante universitário que sabe ler apenas em português e inglês, resolve realizar uma pesquisa aprofundada sobre o tema crianças hiperativas, irá deparar-se com a seguinte quantidade de informações: - 178.820 páginas na Internet (até 30 de julho de 2003);- 6.884 artigos científicos publicados nas revistas da área da saúde nos últimos 12 anos;.- 4.748 artigos científicos publicados em revistas da área de educação nos últimos 10 anos;.- 1.387 artigos e matérias de jornais e revistas informativas (só em português), publicados nos últimos cinco anos;.- 557 livros (sendo 32 em português e o restante em inglês). Mediante estes números, não é preciso muito esforço para perceber que, se o estudante não estiver preparado para o trato com a informação, tenderá a ficar extremamente ansioso, sem saber por onde começar seu trabalho".


."A busca, seleção e leitura de informações deve ser precedida pelo estabelecimento de objetivos bem definidos. Ou seja, antes de ler qualquer coisa você deve responder as seguintes perguntas:
.
- Por que eu estou lendo este texto?
.
- Para que servirão estas informações?
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- Qual o significado dessas informações no meu contexto de vida ou profissional?
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- Como e com o que posso associar estas informações de forma a compreendê-las com mais profundidade?
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- Como posso dar aplicabilidade prática a estas informações?
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No mínimo, as respostas a essas perguntas nos ajudariam a organizar nosso tempo e nosso processo de aprendizagem. Mas também poderá ajudar a dar a noção de sentido e prioridade ao que fazemos, de forma que, certamente, passaremos a rever a quantidade e a qualidade das informações que processamos.
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A leitura de qualquer tipo de informação deve ser sucedida por um período de reflexão quanto ao significado do material lido. 
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O processo de reflexão exige análise, associação, contextualização e síntese, de forma que ele pode proporcionar não só a criação de conhecimento original, como também auxilia o processo de fixação mnemônica do conteúdo. 
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Sem isso, teremos a sensação de estarmos “absorvendo” muito, mas, na verdade, estaremos aprendendo pouco".




Ryon Braga, "O Excesso de Informação - A Neurose do Século 21", Disponível em: http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=21736&tid=5446877722516337812&na=3&nst=11&nid=21736-5446877722516337812-5446879655251621012 [28 de Abril de 2010]

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Sugestões para preparação do teste 6 de Maio


Teste de 6 de Maio de 2010: sugestões para a sua preparação

Deverão reservar algum tempo de "trabalho autónomo", de acordo com as indicações da Declaração de Bolonha. A preparação deverá demorar cerca de 3 a 4 horas, se seguirem as indicações seguintes.

O teste irá consistir num comentário aos seguintes textos que contestam as teses da escola sócio-técnica:




"C) Avaliação Crítica da Abordagem Sócio-Técnica
Apesar de ser reconhecida como um avanço em termos da teoria organizacional e contribuição efetiva à melhoria de condições e qualidade de vida no trabalho, a abordagem sócio-técnica da organização vem sendo alvo de muitas críticas, no sentido de suas limitações e incoerências teóricas e empíricas, como as apresentadas por Garcia (1980); Palloix (1982); Pasmore (1982); Ortsman (1984); Demo (1985); Sorensen (1985); Motta (1986a); Storch (1987).
Na avaliação de Garcia (1980), as possíveis limitações da abordagem sócio-técnica estão relacionadas com algumas áreas problemáticas que poderiam conduzir à redução dos horizontes existenciais dos membros individuais da organização. Partindo do objetivo principal da abordagem sócio-técnica, a otimização conjunta, o autor alerta que para atingi-la, torna-se necessária a análise e modificação da estrutura das tarefas produtivas, o que conduz a uma redefinição dos papéis sociais a fim de neutralizar as variações fundamentais que, eventualmente, possam ocorrer na produção. Esta forma de conduzir a análise, implica em duas áreas problemáticas: a primeira, decorrente da própria natureza do processo tecnológico e, a segunda, da ambivalência dos processos grupais.
Tratando-se da primeira área problemática, verifica-se que a estrutura das tarefas passa a ser intencionalmente delineada de forma abrangente. A partir daí, em função do delineamento de cargos, é que se analisa a constituição dos grupos sociais. "Isto significa colocar sob controle fatores como proximidade física dos membros individuais, nível de habilidade profissional requerida, fluxo de informações, interdependência e amplitude das tarefas requeridas" (Garcia, 1980, p.75). Sabendo-se que esses fatores são altamente significativos para o surgimento e a manutenção dos processos grupais, pode-se inferir que há uma determinação intencional de utilizar os grupos sociais como amortecedores de conflitos e toda a espécie de pressão externa. Implícita nessa interpretação, constata-se uma preocupação com a harmonia, contida na teoria do equilíbrio da organização (Burrel e Morgan, 1979).
Não se observa, portanto, uma prática de ação - reflexão, nem processos de denúncia - proposta, com vista à transformação de uma realidade. A situação de conflito entre o capital e o trabalho e a questão da dominação é mascarada em pról da idéia de integração e cooperação: "tudo se passa como se não houvesse, de fato, dirigentes e dirigidos, mas apenas supersistemas, sistemas e subsistemas a serem integrados [e otimizados] (Motta, 1986a, p.88).
O que realmente ocorre, parece ser um paradoxo às propostas da AST: ao serem reestruturados os cargos e as tarefas, em função da inovação tecnológica, observa-se que o controle intrínseco da tecnologia sobre as ações individuais expande-se amplamente. Isto contribui para tornar a tecnologia um instrumento de maior controle da gerência sobre os trabalhadores (Garcia, 1980).
Com relação à segunda área problemática, a ambivalência, a que se refere Garcia, deve-se ao aspecto contraditório da atuação do grupo de trabalho como fator de socialização, aumento do nível cultural e participação de seus membros, mas ao mesmo tempo, como limitação a uma futura emancipação do indivíduo, além de interpor-se como mediação inautêntica entre ele e o interesse geral dos demais trabalhadores. Dessa forma, se o delineamento de cargos não considera a natureza política das tecnologias e o caráter ambivalente dos processos grupais, provavelmente originará uma redução na capacidade individual dos membros participantes para a interpretação de problemas existenciais mais amplos.
A forma como é conduzida a otimização conjunta pelos sócio-técnicos, que sugerem a busca de um 'ótimo', tratando-se de ambos os sub-sistemas, técnico e social, é suscetível à críticas. Pois, "ao adotarem um conceito matemático de otimização estabelecem algo impossível, ou seja, empreender um processo de otimização utilizando duas variáveis dependentes, com dois sistemas diferentes de valores: a produtividade (em termos da percepção monetária dos trabalhadores) e a satisfação no cargo" (Sorensen, 1985, p.146).
No entanto, é evidente, em todos os trabalhos desenvolvidos de acordo com a Abordagem Sócio-Técnica, que não são admitidas soluções que conduzam a uma redução de eficiência. (Emery e Thorsrud, 1976, Ortsman, 1984). Para Garcia (1980, p.75) a abordagem sócio-técnica, na busca de otimização conjunta, releva uma carência de "um modelo autodeterminado da ação humana", ou seja, os valores humanos, que são considerados, são aqueles relacionados com a situação de tarefas produtivas e aos papéis sociais a serem desempenhados.
Ao assumirem uma concepção mecanicista da tecnologia os sócio-técnicos relegam a avaliação social da tecnologia, restringindo a sua análise ao âmbito das tarefas e cargos e conduzindo-a de tal modo que o sistema técnico determina os graus de liberdade presentes no projeto de delineamento dos cargos. Essa ausência de concepção política e social da tecnologia "conduz a uma insensibilidade com relação às conseqüencias sociais da pesquisa e desenvolvimento da tecnologia" (Sorensen, 1985, p.149), como também aos problemas de distribuição do poder e de controle social (Garcia, 1980).
Quando a AST assegura que a tecnologia oferece possibilidades inerentes para novas e mais saudáveis formas de organização do trabalho, é muito vaga ao descrever sob quais condições sociais as novas tecnologias podem apresentar os resultados desejados.
As críticas, com relação ao embasamento teórico da abordagem sócio-técnica e suas incoerências lógico-conceituais, não são menos severas para Sorensen (1985), quando avalia as falhas decorrentes da utilização da teoria dos sistemas abertos para descrever as organizações. Segundo o autor, em primeiro lugar, a abertura dessa teoria é mais pragmática do que real. Na prática, a AST negligencia muitas influências externas sobre a organização do trabalho, como por exemplo, o ambiente político da comunidade adjacente, histórico de vida dos trabalhadores, as flutuações econômicas e políticas da sociedade em geral, ou seja, "a Teoria dos Sistemas Abertos é bastante fechada para sensibilizar-se com questões transistêmicas" (ibid., p.148). Além do que, contrariamente à abertura teórica propalada, a AST procura explicar o sucesso ou o fracasso do empreendimento, sempre através de situações internas, a nível de chão de fábrica, desconsiderando as causas externas.
Em segundo lugar, para o mesmo autor, a concepção sócio-técnica de 'ordem social' de uma organização é simplista demais, insuficiente para uma verdadeira interpretação da organização de modo geral, tendendo a relegar o aspecto político e cultural da organização ao se concentrar demasiadamente nas tarefas, papéis de trabalho, necessidades psicológicas do cargo.
Desse modo, tornou-se difícil comprovar, praticamente, através dos experimentos do IDP, a declarada conexão entre participação sócio-técnica e democratização através de representação dos trabalhadores (Emery e Thorsrud, 1976). Provavelmente, isto é conseqüência da compreensão sócio-técnica da participação dos trabalhadores como fundamentalmete integrativa e não conflitual. Por isto o papel representado pelos coletivos informais de influência dos trabalhadores e sindicatos, não foi enfatizado. Justo estes sistemas de representação que historicamente têm sido o principal canal de participação de trabalhadores nas decisões.
Refletindo sobre o conceito restrito de participação sócio-técnica, Storch (1987) observa que se limita à situação imediata de trabalho, não prevendo um escopo mais amplo de participação política, no que se refere às decisões estratégicas da empresa. Aliás, a ausência de atenção às relações políticas que acontecem em uma organização é uma das falhas mais graves da abordagem sócio-técnica, pois dificulta o estudo da dinâmica interna das negociações formais e informais, da resistência dos trabalhadores e da participação formal.
Para concluir a avaliação crítica da abordagem sócio-técnica, é interessante refletir sobre o modelo de ciência em que se assentam os princípios dessa abordagem. Pela forma como são enfocadas as questões da tecnologia, da organização e dos comportamentos individuais e grupais é bastante perceptível a influência de pressupostos positivistas (Garcia, 1980; Sorensen, 1985). Além do que, ao estabelecer, como um dos seus referenciais básicos de análise, a teoria dos sistemas abertos, a abordagem sócio-técnica sofre influência do pragmatismo da sociologia norte-americana, em particular, quando se trata da problemática do aperfeiçoamento dos sistemas (Motta, 1980). Esse aperfeiçoamento constante, pode originar um dirigismo, expresso nas estratégias de controle social, que visam identificar os conflitos organizacionais com o objetivo de canalizá-los para a eficiência do sistema.
Nesse sentido, Palloix (1982), um dos críticos mais contundentes da AST, a avalia negativamente, por considerá-la como mais uma estratégia gerencial para impôr um controle global do processo de trabalho, através de uma relativa autonomia concedida ao trabalhador, somente sobre as suas tarefas imediatas. Porém, ao contrário das abordagens mecanicista e de relações humanas/comportamentalista, alguns críticos reconhecem que "há no entanto, no caso do modelo sócio-técnico, algo que foge um pouco à questão da manipulação eficientista, na medida em que se sugere, timidamente, vantagens da organização lateral" (Motta, 1986a, p.90). Reconhecem, também, que representou um avanço em termos do entendimento da atuação operária nos locais de trabalho, abrindo perspectivas de participação dos trabalhadores e contribuindo para uma melhor compreensão das relações existentes entre tecnologia e organização do trabalho."

Segundo texto:

"4. Súmula conclusiva e análise crítica à abordagem sócio-técnica
As organizações são entendidas como sistemas sociais assentes na interdependência e na
interacção entre os seus subsistemas estruturais e funcionais, nomeadamente na execução de tarefas, no processo de tomada de decisão e na organização do trabalho.
Na abordagem sócio-técnica, para uma mesma tecnologia, é possível estruturar uma organização do trabalho baseada nas decisões e participação do trabalho em grupo. É o grupo, através do seu funcionamento interno, que coordena e controla a execução das tarefas, não existindo uma supervisão externa. As relações entre os diferentes trabalhadores passam a ser dominadas pela cooperação e solidariedade, fomentando a coesão e a integração sociais, imprescindíveis para a consecução dos objectivos do grupo e da organização.
Outro pressuposto norteador da corrente sócio-técnica está em defender que o trabalho enquanto acção humana e social relacionada com qualquer tecnologia, atinge uma maior eficiência em grupo do que circunscrito a uma função polarizada do trabalho individual centrada na especialização e na competição entre os diferentes indivíduos que executam uma determinada tarefa.
Os diferentes estudos de intervenção da corrente sócio-técnica nas empresas da Noruega, Grã-Bretanha, índia, Suécia demonstram várias virtualidades nas novas formas de organização do trabalho adoptadas após as décadas de 1940-1950:
a) sendo os trabalhadores a decidir e participar na organização do trabalho, a sua criatividade e responsabilidade de execução das tarefas aumentam substancialmente;
b) aumentando a motivação e a identidade em relação ao trabalho, desenvolve-se a coesão
social e a eficiência nas empresas;
c) uma mudança organizacional positiva exige um diálogo profundo e sistemático entre
investigadores e organização, por forma a permitir uma intervenção baseada na pesquisa-acção, que tem por intenção não só realizar diagnósticos aprofundados ao problemas que afectam o funcionamento interno da empresa como também permitir a sua superação através de condutas humanas assentes em relações interpessoais dialógicas e democráticas.
Numa perspectiva geral das correntes do pensamento em gestão, a abordagem sócio-técnica, impulsionada pelo Tavistock Institute, mais do que a criação de formas inteiramente novas de organização do trabalho deve ser vista como parte de uma metodologia capaz de repensar a organização do trabalho na empresa paralelamente ao modelo da Organização Científica do Trabalho pois, num ambiente económico global e competitivo, torna-se imperioso não equacionar um único caminho em matéria de organização do trabalho e gestão de empresas.
Segundo o modelo conceptual da abordagem sócio-técnica constatamos que era sua intenção dinamizar a aprendizagem, a participação activa dos diferentes actores na empresa (desde a direcção aos trabalhadores) e o desenvolvimento da autonomia e responsabilidade dos colaboradores com o objectivo de contribuir para a melhoria da qualidade de vida no trabalho bem como da performance sócio-económica da empresa.
Neste sentido, a abordagem sócio-técnica revela-se muito actual, nomeadamente no contexto empresarial português onde, para a análise e melhoria da produtividade, teremos que ter em conta não apenas variáveis ligadas ao capital físico, tecnológico e humano da empresa mas também incluir o desenho organizacional da empresa e a maneira como ela organiza o trabalho, preocupações estas preconizadas pela primeira vez pelos autores da abordagem sócio-técnica na teoria das organizações.
Contudo, hoje continuamos a verificar que a maioria das empresas nacionais ainda segue uma linha muito mais tecnológica do que humana, o que pode ser explicado pela falta de recursos humanos qualificados e acentuado défice de participação do pessoal nas mudanças técnicas, tecnológicas e organizacionais introduzidas nas e pelas empresas. Portugal revela ainda uma cultura empresarial fortemente enraizada nos princípios tecnocratas e burocráticos da Organização Científica do Trabalho, valorizando o lucro em detrimento do desenvolvimento do seu capital intelectual. As empresas tendem a inovar, na maior parte dos casos, ao nível dos processos tecnológicos e só muito raramente essa inovação é ao nível sócio-organizacional, o que pode explicar o insucesso empresarial e produtivo da nossa realidade económica actual. Este pressuposto leva-nos a concluir da necessidade de colocar ao mesmo nível quer a inovação tecnológica quer a inovação organizacional e social da empresa como dois pólos igualmente importantes para melhoria da viabilidade e competitividade empresarial.
Se tomarmos como exemplo o caso japonês, constatamos que eles, ao contrário das empresas portuguesas, explicam o seu sucesso organizacional mais pela eficácia na gestão de pessoas, na motivação de comportamentos e na gestão de uma cultura organizacional congruente com o meio ambiente do que na eficácia dos equipamentos tecnológicos. Investiram, nos últimos anos, sobretudo no enriquecimento do conteúdo de trabalho, na iniciativa, responsabilidade e autonomia funcionais bem como em modelos de gestão assentes na polivalência e empowerment para fazer face aos desafios colocados pela evolução do meio em que operam.
Ainda que a abordagem sócio-técnica assentasse em ideias inteiramente novas e diferentes face ao paradigma taylorista elas foram alvo de forte oposição por parte das organizações
contemporâneas, uma vez que ameaçavam as estruturas de poder. Contudo também se reconhece a sua influência nas mudanças trazidas ao nível dos valores sociais e seus efeitos nas organizações e indivíduos, nomeadamente na alteração da sua performance produtiva, nas oportunidades de aprendizagem, na variedade funcional, no apoio organizacional e no maior poder de decisão e responsabilidade, capazes de incentivar a flexibilidade e a aquisição de novas competências tornando as empresas mais competitivas e facilitando a sua constante adaptabilidade às variações do meio envolvente, muito características da sociedade económica actual".






Fases do trabalho:

1. Deverão fazer um resumo destes dois textos.

2. Resumos das aulas no que se refere à Escola sócio-técnica centrando-se no que a  separa da escola das relações humanas e da visão de Taylor


8 de Abril de 2010
Tema: da metáfora mecanicista de Taylor aos grupos sócio-técnicos. A escola sócio-técnica e os grupos semi-autónomos. 
Ver aqui resumo da aula:
http://neves.do.sapo.pt/AulaOrgTrab10Abr07.pdf


Ver também o texto sobre a escola sócio-técnica que está na Copyfilm: Mudar o trabalho.

Fazer também pequenos resumos das aulas sobre Taylor e as Relações Humanas:

Aulas de 18 e 25 de Março de 2010

http://neves.paginas.sapo.pt/org_trab09_10/Aula.OrgTrab18_25Mar10FINAL.pdf






4. Fazer uma comparação entre o que dizem as duas críticas.


5. Fazer, no dia do teste, um pequeno ensaio de, no máximo, 2 páginas respondendo a uma pergunta baseada nos textos anteriores e nas aulas.

Textos de apoio apenas para leitura

Serão colocados amanhã, no blog, alguns textos de apoio apenas para leitura.

As melhoras respostas serão colocadas, mais tarde, no blog desde que me disponibilizem uma versão, em Word.